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Douradina - MS, terça-feira, 22 de maio de 2018

Em áudio, miliciano tenta convencer traficante a 'atravessar' de lado

Publicado em: 02/04/2018 às 07h17

g1/extra

Viatura da PM na entrada da Favela Bateau Mouche, no última terça-feira, depois de uma série de conflitos na comunidade. Foto: Carolina Heringer / Agência O Globo

RIO — A atuação de milicianos na guerra pelo controle da favela da Bateau Mouche, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio, onde moradores convivem com conflitos desde o ano passado, também passa pelo recrutamento de adversários. Reportagem exibida neste domingo pelo “Fantástico”, da TV Globo, revelou áudios de paramilitares incentivando traficantes a mudar de lado. No Rio, o combate a esses grupos de milicianos é feito pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Em uma das gravações, um miliciano pede ao traficante para passar informações e depois "atravessar": "O menor está em contato comigo. Ele é gerente da boca, tem uma pistola. Falei com ele: 'sabe o que você pode fazer? Sai dando informação pra a gente, depois tu pega e atravessa, pô'". Em outro registro, o paramilitar diz: "Dá meu contato pra ele que eu vou entrar na mente dele".

Moradores da Praça Seca relataram para a reportagem do Fantástico como funciona o domínio dos milianos na região. Além de cobrarem R$ 40 por uma falsa segurança e monopolizarem os serviços de gás, TV a Cabo, água e internet, a quadrilha controla o conteúdo dos celulares de quem vive no local:

"...Eles olham até o telefone das pessoas. Mandam você desbloquear e se tiver alguma coisa no telefone que comprometa eles, você vai pagar por aquilo (...) Eles olham as mensagens, as ligações, whatsapp (...) Olham a sua galeria de fotos, vêem se você está repassando fotos, vídeos".

A quadrilha também envia ameaças em grupos de WhatsApp de moradores: "Pode meter o pé do morro que agora não vai ter desenrolo, o pau vai cantar, a jiripoca vai piar, a bala vai voar e não tem jeito. É ordem. Morador que não pagou os dias de atraso, vai pagar, mano. Vai ter que pagar. Não vai ter Bope, não vai ter ninguém, não (...) É milícia do Rio de Janeiro, rapá!”, avisam.

Ainda conforme a reportagem, o poder das milícias não parece diminuir no Rio, apesar de o estado estar sob intervenção federal. A Polícia investiga a participação desses grupos paramilitares na execução da vereadora Marielle Franco (Psol) e também de cinco jovens dentro d eum condomínio, na cidade de Maricá.