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Douradina - MS, sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Comer na hora certa faz toda a diferença

Estilo de vida saudável começa com café da manhã equilibrado e rotina no horário das refeições

Publicado em: 28/08/2018 às 07h24

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Consumir os alimentos devagar, em um ambiente tranquilo, ajuda a manter uma alimentação saudável - Foto: Divulgação

Ter uma alimentação saudável não significa comer pouco ou viver de regime. O importante é saber fazer as melhores escolhas. Significa, também, ficar de olho na quantidade, na qualidade e na frequência em que se fazem as refeições. Viver mais e com mais saúde está diretamente ligado ao comer bem. Uma alimentação saudável ajuda o corpo a funcionar melhor e interfere diretamente no seu bem-estar físico e mental. E tudo começa pelo café da manhã, preterido por grande parcela da população, com a justificativa de que pela manhã é aquela correria e não dá tempo.

Lembra da dica da vovó para sempre tomar um café da manhã reforçado? Ela estava certa e isso pode até ajudar na manutenção e perda de peso. Os nutricionistas alertam que um estilo de vida saudável começa com um café da manhã equilibrado. A quebra de jejum tem de ser feita assim que a pessoa acorda, para fornecer energia para encarar o dia. Esse hábito deve ser adquirido desde a infância. A pessoa que não toma café da manhã tem redução de nutrientes (vitaminas e minerais) na alimentação, fica mais propícia a ter anemia, deficit de atenção, apatia e indisposição. 

 “O café da manhã, ou desjejum, é a principal refeição do dia”, afirma Sonia Trecco, nutricionista-chefe do serviço ambulatorial do Hospital das Clínicas da USP.

A importância se dá por ela ocorrer logo após um longo período de jejum – a noite anterior, caso não tenha havido nenhum assalto à geladeira (evite isso).

E o hábito de acordar de supetão, trocar de roupa rápido e sair correndo de casa para o trabalho ou para a academia? Também é melhor evitar. Segundo Trecco, há dois riscos principais associados a pular o café. O primeiro está ligado a possíveis episódios de hipoglicemia, que podem levar até mesmo a desmaios.

A secretária-executiva aposentada Silvana Maria Silva, 57 anos, de Campo Grande, conta que está vivendo um período de relação com a alimentação muito diferente daquele de quando trabalhava o dia todo. “Antes eu comia muito fora de casa e o café da manhã sempre se limitava ao cafezinho, um biscoito. Agora, que eu tenho mais tempo para me observar, cuidar de mim, estou até fazendo um curso de ayurveda (terapia indiana milenar). Isso mudou completamente minha vida alimentar. Eu acordo e sinto o que eu estou querendo comer naquele dia, preparo minhas refeições, muito mais equilibradas e nutritivas”.

A nutricionista afirma que cafés da manhã com leite e seus derivados – pelo menos para quem não tem intolerância –, pão e frutas é o recomendado. “Não pule o café da manhã”, reforça Trecco. 

A estudante de Administração de empresas Nathália Fernanda de Souza, 22 anos,  sabe bem sobre a importância da primeira refeição do dia, mas, como a maioria das pessoas, não dedica a devida atenção a ela. “Na verdade, isso tem faltado muito na minha vida, porque lá em casa a gente nunca teve esta prátia do café da manhã, e a gente tem ganhado esta consciência da importância dele. Mas eu tenho esta dificuldade de comer neste horário. Eu me esforço para comer porque sei que é importante. Em casa, sou meio que exceção, porque a família faz o que é certo. Mas eu pego uma fruta e vou para a faculdade”.

Parece que este hábito não acontece apenas com Nathália. Uma pesquisa feita com mães de crianças com idades entre 6 e 15 anos mostrou as razões pelas quais a refeição não é feita pelos pequenos: 52% das mães responderam que os filhos não têm fome assim que acordam, 24% dizem que os filhos preferem comer mais tarde, 10% afirmam não ter tempo de preparar o café da manhã e 14% responderam ser por outros motivos.

OUTRAS REFEIÇÕES

E quanto ao horário das outras refeições, existe uma recomendação? “Ao longo do dia, nosso metabolismo se torna mais lento”, afirma Érika Suiter, coordenadora do serviço de alimentação do Hospital Sírio-Libanês.

Isso indica que grandes refeições à noite, quando o dispêndio energético se aproxima de um mínimo, podem dificultar a manutenção ou a perda de peso, considerando que a energia não gasta se tornará reserva. Trocando em miúdos, o que o metabolismo faz nessas circunstâncias é transformar comida em estoque energético – gordura –, já que a energia ali contida não se faz necessária naquele instante.

Com apenas um cafezinho pela manhã, um salgado no meio da manhã e almoço farto, o pintor Wesley Duarte de Oliveira, 25 anos, enquadra-se neste perfil e confessa que não tem o hábito de fazer corretamente as refeições. Ele diz que isso o ajudou a ficar com sobrepeso. “Com o hábito de tomar só o cafezinho, quando chegam as 10h eu vou para a lanchonete comer um salgado e sei que aquilo me faz muito mal”.

Não bastasse isso, à noite, ele conta que, mesmo depois do jantar, assalta a geladeira. “Ah, eu faço isso, sim, e sempre vou em busca de doce. Antes de dormir, parece que falta alguma coisa, vou ver é o doce”.

Além do café reforçado, as nutricionistas indicam que as pessoas façam refeições fracionadas e evitem grandes intervalos de tempo sem comer: o ideal é se alimentar a cada duas ou três horas. “É melhor dar preferência para carboidratos com fibras – produtos integrais – ou frutas, que contribuem para o funcionamento intestinal”, diz Érika Suiter.

Além do horário, também deve-se prestar atenção em como comemos. Conforme Érika, consumir os alimentos devagar, em um ambiente tranquilo, ajuda a manter uma alimentação saudável, pensando que a digestão começa na boca.