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Douradina - MS, sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Haddad quer antecipar implantação do Sisfron em dez anos e frear a violência

Medida visa conter o avanço do crime organizado nas fronteiras

Publicado em: 26/10/2018 às 08h07

correio do estado

Candidato do PT deu entrevista à Rádio Globo. - Foto: Divulgação/Terra

Candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad disse nesta sexta-feira que pretende antecipar a implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) para reforçar a segurança nos estados localizados na linha internacional, como é o caso de Mato Grosso do Sul, vizinho da Bolívia e do Paraguai. 

O objetivo é frear os avanços do crime organizado e impedir a entrada de produtos contrabandeados, armas e drogas que colaboram para o aumento da violência e ainda corroem a economia.

Durante entrevista à rádio Globo de Campo Grande, Haddad considerou desastrosa a medida do Governo Federal que adiou o Sisfron para 2035. “Isso causa enorme prejuízo para os estados que estão na fronteira com outros países. Quando passa o contrabando, o Estado deixa de arrecadar e fica no prejuízo”, disse à rádio.
 

O petista alertou que a situação tende a piorar, uma vez que os ilícitos que chegam ao Brasil pelas fronteira inflamam a criminalidade nos grandes centros. “Por isso pretendo adiantar em dez anos a entrega do Sisfron, para 2025, porque assim, vai haver aumento da arrecadação e em função do combate ao crime, vai entrar menos armas e drogas”, pontuou.

Ele destacou ainda a importância do Sisfron que tem como uma das principais atribuições a vigilância da fronteira por meio de câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos. “É um grande sistema de inteligência. Não se controla 17 mil quilômetros de fronteira seca com gente, é preciso equipamentos, como satélites e radares”.

SEGURANÇA EM MS

Mato Grosso do Sul sofre com o descaso do Governo Federal com as fronteiras, tanto que Paranhos e Coronel Sapucaia, foram considerados os municípios fronteiriços mais violentos do Brasil, segundo relatório preliminar do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), com dados de 2016, divulgado em agosto. Segundo o Governo do Estado, a violência é resultado da disputa entre as facções criminosas na fronteira.

Conforme o levantamento, proporcionalmente, Paranhos aparece como a mais violenta entre 32 “cidades-gêmeas” avaliadas, aquelas que  ficam lado a lado na fronteira de países diferentes. Em 2016, foram registrados 15 homicídios na cidade, no entanto, o município, que tem cerca de 13 mil habitantes,  é o que tem a taxa de letalidade mais alta, com 109,7 assassinatos por 100 mil habitantes.  

O segundo colocado em violência é Coronel Sapucaia, com uma taxa de 67 homicídios por 100 mil habitantes. Em números absolutos, foram 15 homicídios no ano de 2016.  No levantamento que correspondente ao período de 2013 a 2016, a taxa de letalidade aumentou 150% em Paranhos, saltando de seis homicídios em 203 para os 15 em 2016. No mesmo período, a situação de Coronel Sapucaia melhorou, caindo de 14 assassinatos em 2013 para 10 ocorrências.

AGRONEGÓCIO

Ainda durante a entrevista, Haddad afirmou que a baixa produtividade de alguns setores do agronegócio é um dos combustíveis no conflito pela demarcação de terras. Por este motivo, deve pressionar quem pouco produz, mas sem que necessariamente ocorra mais desmatamento.

“Existe o agro altamente produtivo, que investe em insumos, em fertilizantes, equipamentos e investe em pesquisa biogenética, em associação com a Embrapa. Só que também existe o agro que não produz, que especula terra e mantém baixa produtividade para escapar da lei da desapropriação”, afirmou.

Além disso, mencionou estudo que aponta ser viável aumentar a produção agropecuária sem a necessidade de maiores áreas. “Não precisa derrubar matas para aumentar a produção. Algumas áreas poderão ser desmatadas de acordo com a Lei, mas em compensação, será feito o reflorestamento de outra área semelhante, com desmatamento líquido 0”.