Paraguai transfere 24 do PCC após rebelião em presídio - DOURADINA NEWS - 5 ANOS NA LIDERANÇA!

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Douradina - MS, terça-feira, 19 de março de 2019

Paraguai transfere 24 do PCC após rebelião em presídio

Governo local quer extradição de líderes para o Brasil

Publicado em: 13/03/2019 às 11h43

correio do estado

Polícia paraguaia entre no presídio de Concepción após rebelião na última terça - Foto: Reprodução

O governo do Paraguai anunciou, nesta quarta-feira (13), a transferência de 24 presos integrantes do Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que controla o tráfico de drogas e armas nas fronteiras de Mato Grosso do Sul.

Segundo o jornal 'ABC Color', os detentos foram identificados como os responsáveis pelo motim no Presídio de Concepción, na última terça-feira (12), que deixou pelo menos quatro agentes penitenciários gravemente feridos. Eles foram torturados pelos presos.

De acordo com o periódico, a maioria dos agentes apresenta cortes provocados por facas produzidas de maneira artesanal pelos bandidos.

É esperada para hoje que seja cumprida apromessa feita pelo ministro da Justiça paraguaio, Julio Rios, de extraditar lideranças do PCC. Os nomes devem ser revelados no período da tarde.

CAOS

Facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são investigadas pela Polícia Nacional do Paraguai por promover o recrutamento de criminosos em presídios no país vizinho. 

Segundo o 'ABC Color', o comandante da polícia, Gregorio Walter Vásquez apontou que os principais alvos são presos paraguaios de alta periculosidade. A Direção de Instituições Penais do Ministério da Justiça investiga a relação dos faccionados brasileiros com os demais internos.

Atualmente, há integrantes do PCC e CV nas cadeias de Tacumbú, Pedro Juan Caballero, Concepción y Alto Paraná, como também no quartel do Agrupamento Especializado da Polícia. O objetivo é fortalecer as organizações e expandir o controle.

A penetração do PCC, contudo, pode ser ainda maior, já que 150 paraguaios teriam sido 'batizados', comos e chama o ritual de entrada à facção.

As autoridades acreditam que a rebelião em Concepción foi deflagrada pelo próprio PCC, como forme de inibir a extradição de lideranças ao Brasil. O desfecho não foi pior porque a Polícia Nacional conseguiu controlar a ação e resgatá-los.

os criminosos tomaram a ala de condenados e renderam os funcionários da unidade. Um dos reféns teve o rosto cortado e recebeu diversas perfurações de faca artesanal. Os outros três também foram agredidos. Após a libertação, as vítimas foram encaminhadas ao Hospital Regional de Concepción.

Outros internos deram apoio à rebelião que só foi controlada com a chegada da Polícia Nacional. Não foi divulgado o número total de presos envolvidos. Assim como no Brasil, o PCC tem vários internos em diversos presídios no Paraguai que, apesar da restrição da liberdade, prestam apoio às ações do crime organizado na fronteira. 

ORGANIZAÇÃO

Depois de revelar ter desmantelado planos para resgatar comparsas de Sérgio Arruda Quintiliano Neto, 33 anos, conhecido como 'Minotauro', do presídio em Pedro Juan Caballero, cidade na fronteira com Ponta Porã, o Paraguai informou em fevereiro ter iniciado um processo de identificação de policiais que possam ter envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que contrla o tráfico de drogas e armas em Mato Grosso do Sul. Pelo menos 20 deles já teriam sido presos.

A informação foi dada por Juan Ernesto Villamayor, ministro do interior paraguaio. Em entrevista concedida nesta manhã, ele afirmou que "não há dúvidas", da presença de agentes de segurança corruptos que são comprados pelo PCC.

Dados do ministério público paraguaio obtidos pela reportagem mostram que 11 operações já foram organizadas para desmantelar o agrupamento da quadrilha na cidade fronteiriça. Alguns dos planos descobertos envolviam até sequestro de aviões de carreira no país vizinho e explosões de bases das forças armadas locais para aquisição de armas de grosso calibre.    

Minotauro foi preso no último dia 5 de fevereiro, em Balneário Camboriú (SC). Atualmente está detido no Presídio Federal de Brasília (DF), mesma cidade de onde as autoridades paraguaias dizem ter saído as ordens de resgate de comparsas do traficante.

"Naturalmente  Minotauro tem muita gente a seu serviço", disse Villamayor. "E venho dizer que de nenhum modo essa atuação dele será tolerada. Os culpados assumirão sua responsabilidade. Os métodos que eles usam são uma barbaridade."

A apuração das autoridades paraguaias começou após a descoberta de que cinco veículos de luxo apreendidos pela polícia local em operações que desencandearam na prisão de Minotauro em Santa Catarina desapareceram do pátio onde estavam. Nos grampos telefônicos, o traficante, ainda livre, negociava com funcionários públicos valores para facilitar a entrada de comparsas no local com a meta de resgate dos veículos. 

Villamayor acredita que foram os próprios agentes quem roubaram os veículos, com o objetivo de desmontá-los e vender suas peças. Claro que com a autorização de Minotauro. Ao mesmo tempo, o ministro aponta que por enquanto tanto os carros quanto os comparsas do traficante seguirão em Pedro Juan Caballero, visto que não existe garantia necessária de transferi-los para a capital Assunção.

Segundo investigações da PF e da Polícia Civil de MS, Neto, que começou a carreira criminosa como ladrão de carga no interior de São Paulo, estaria ocupando o posto de líder da facção criminosa no controle do tráfico de drogas e armas nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. O Correio publicou um perfil dele tão logo sua presença na fronteira fora identificada, em março do ano passado, quando foi acusado de matar um investigador em Ponta Porã. 

Marcos Willians Herbas Camacho, 51, o 'Marcola', maior líder da facção e transferido pelo Governo de São Paulo do Presídio de Segurança Máxima Estadual de Presidente Venceslau para a unidade federal  de Rondônia (RO) no último dia 13 de fevereiro. 

Correio do Estado revelou em 31 de janeiro que a cúpula da segurança pública de São Paulo, onde nasceu o PCC, temia justamente que retaliações, como ataques e tentativas de resgate de Marcola, viessem de integrantes do PCC sediados no Paraguai.